Não consigo dormir com a revolta que sinto. Hoje nas imediações do Hospital Sta. Maria, alguém ousou partir um dos vidros do carro da Uabet, entrou no carro e levou tudo o que tinha a levar. De referir que tudo estava na bagageira, nada à vista.
Como estávamos a jogar ténis só demos pelo sucedido quando chegámos ao carro. "Desapareceram" a mala da Uabet com todos os documentos, uma mochila com roupa minha e a pasta da Uabet, com a bata, o estetoscópio e livros comprados a semana passada.
Além do problema dos documentos, tudo se pode voltar a comprar. O que não tem preço são os valores sentimentais daquilo que nos foi tirado.
A tua mala vermelha, que te ofereci quando namorávamos há um ano. A tua bolsinha azul onde colocavas o teu "kit" de maquilhagem rápido e tudo o que eu achava desnecessário porque a tua beleza é inata. Os bilhetes do concerto na próxima sexta. A tua preciosa carteira vermelha que tanto procuraste. O estetoscópio da Littman "azul-bébe" que nos custou tantos e-mails para os EUA. As nossas fotografias, especialmente aquela em que estávamos a beber um cocktail. O que me "custou" aquela tarde no El Corte Inglés para escolhermos a tua pasta. O teu estojo... O teu anel vermelho... O ursinho Puff que trouxeste da Eurodisney. As minha adoradas All-Star pretas, que vieram dos EUA. Aquele meu casaco de malha que comprámos quando vimos aqueles actores do CSI. A minha mochila preta que percorreu um mundo inteiro desde o meu 10º ano...
Nem tudo tem um preço. As experiências, as emoções, os sentimentos que enriquecem pequenos objectos do nosso quotidiano nunca terão um preço justo.
Aos assaltantes, temos pena porque na carteira da Uabet não encontraram um cêntimo. Não encontram uns óculos de sol novos que serão a minha prenda dia 9. Não encontraram a minha carteira, que esse sim, tinha bastante dinheiro. Não levaram os nossos casacos que em termos monetários foram mais caros que tudo o que levaram. O meu casaco inclusivé tinha o PDA dentro do bolso...
Tudo o que levaram foram recordações... Obrigaram a pessoa que adoro a um desespero e a um sofrimento horrível... e para isso não há indemnização que chegue.